Notícias do Concelho de Condeixa

Caso dos 234 militantes no PS Condeixa e 808 militantes do PS Soure

Segundo vários órgãos de comunicação social, no centro da crise que abalou o PS Condeixa, a Federação Distrital de Coimbra apontou a "inscrição irregular de 234 pessoas como militantes" como a principal justificação para intervir no processo autárquico local. No entanto, um facto que passou largamente despercebido na comunicação pública da Federação foi a aprovação, pelo mesmo dirigente federativo, de um número muito superior de novos militantes na concelhia de Soure, sem que tal tenha gerado alarme ou acusações públicas semelhantes.

De acordo com o acórdão da Comissão Nacional de Jurisdição do PS que suspendeu o então vice-presidente da Federação, Daniel Antão, o processo disciplinar contra ele não se baseou apenas nas 234 fichas de Condeixa. A mesma participação, relativa ao PS Soure, acusava Daniel Antão de ter aprovado 808 fichas de adesão ao PS naquela concelhia.

A discrepância no tratamento dos dois casos é notória. Enquanto as 234 adesões em Condeixa foram publicamente classificadas pela Federação, liderada por João Portugal, como uma estratégia para "garantir a vitória" de uma fação e um "processo viciado", não houve uma condenação pública similar em relação às 808 adesões em Soure, que representam mais do triplo dos novos militantes.

No processo disciplinar, Daniel Antão defendeu-se alegando que, no tratamento das fichas de adesão, "atuou da mesma forma que atuou durante os mandatos dos três anteriores 3 presidentes sem nunca ter sido levantado qualquer obstáculo ou reserva". Esta defesa sugere que a metodologia de aprovação era uma prática corrente e que apenas foi questionada quando os resultados políticos em Condeixa se revelaram desfavoráveis à linha da Federação.

O silêncio público da Federação de Coimbra sobre o caso de Soure, em contraste com a sua veemência sobre Condeixa, levanta questões sobre a objetividade dos critérios utilizados. Aparentemente, a "irregularidade" de novas adesões em massa não foi um problema universal para a estrutura distrital, mas sim uma questão seletiva, aplicada com vigor num concelho onde a liderança eleita não era a preferida, e ignorada noutro onde um número muito maior de militantes foi admitido através de procedimentos idênticos.

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